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Cidade Noturna: O caso Laura, lançado em 2011, representou uma mudança de editora e de rumo literário também. Você se referiu a ele como um policial dark uma vez. Os seus leitores podem esperar algo mais nesse sentido?

André Vianco: Cara, meus leitores podem esperar de tudo. Tenho mais ideias que passeiam nesse mundo policial e as contarei a seu tempo. Eu adoro histórias de máfia, de esquemas, de assassinos contratados, então vira e mexe estou aqui maquinando minhas narrativas também.

CN: Ir para uma grande editora te trouxe algo novo em termos de aprendizado ou a máquina editorial é a mesma seja onde for?

AV: A máquina editorial muda de editora para editora, sempre, porque vamos encontrar pessoas diferentes, pensamentos diferentes e expectativas diferentes também. Eu curto muito trocar ideias com meus editores, tomar café com livreiros e bater-papo com leitores. O que percebo que é sempre o mesmo é o nosso mercado, a quem se destinam os livros, as grandes redes que estão comprando. 

CN: Outra novidade foi sua investida no mundo do audiovisual com a produção e gravação do piloto de O turno da noite. Fala um pouco desse projeto e da ligação com os seus livros.

AV: A ligação é a minha paixão pelo cinema, minha paixão pelo audiovisual. O projeto surgiu bem mais modesto, quando em 2010 fazia 10 anos de lançado meu livro “Os sete”. Eu quis homenagear meus leitores e meus vampiros criando um curta metragem que contemplasse alguns dos momentos mais emblemáticos de “Os sete”. No entanto, juntei uma equipe tão boa, tão boa, e como precisei colocar dinheiro do meu próprio bolso para conceber esse “curta,” resolvi empregar todo esforço em algo que pudesse continuar além de uma exibição na web. Foi assim que nasceu a ideia de adaptar “O turno da noite” para seriado e então gravamos um megapiloto com 47 minutos de duração, efeitos visuais, diferentes locações, cenas internas, externas, cenas com multidão, cenas com carro de polícia. Tudo o que um seriado de ação e de vampiros precisa ter. Algo bem ousado para a TV nacional. Apesar de o piloto estar disponível na web já tenho algumas TVs interessadas e estamos negociando, é um processo lento e bastante caro.

CN: E como foi que a ideia saiu da teoria para prática? O que te levou a dizer “a hora é agora, vamos fazer”?

AV: O “a hora é agora” já castigava a minha cabeça desde que lancei “Os sete”. Claro que não ia sair fazendo logo de cara uma adaptação desse livro, uma vez que ele tem contornos de blockbuster e consumiria bastante grana nos efeitos visuais e em toda e estrutura física necessária para que ele acontecesse. Estamos falando de um filme de milhões de reais. Então no começo eu ficava estudando, imaginando se eu tivesse os recursos para fazer, como faria. Os leitores em geral já saem escalando o elenco, na verdade o casting é quase a fase final da pré-produção, é uma das últimas preocupações, obviamente não é uma coisa menor na produção, só é algo que deve ser visto e prospectado quando se tem os recursos para que o projeto ande. Não tem nada mais chato na vida do que “desconvidar” um ator. Hahaha. A minha preocupação era com que câmera eu faria o projeto. Se ele seria digital ou seria filme. Filme é caro, câmera digital que captasse com qualidade de cinema era cara também. Os softwares de edição e de efeitos visuais tinham licenças de valores impossíveis de se alcançar para um pobre escritor latino-americano, contudo o tempo foi passando e as câmeras digitais foram ficando cada vez melhores e “mais baratas”. Quando chegou a Canon 7D, uma DSRL que fica na faixa de US$3.500,00 eu pensei, poxa “a hora é agora”. Com essa câmera você obtém um visual de cinema, sendo que captura tudo em digital, as licenças de softwares também ficaram acessíveis e a coisa toda andou. Hoje dirijo, além dos meus mundos inventados em literatura, a Criamundos, estou estudando para ser um roteirista melhor e um diretor melhor. Cinema é um grande desafio e será vencido. Tenho hoje três projetos de longas de baixo orçamento em andamento e toda a vontade do mundo de fazer o terror e a fantasia brasileira ganhar as telas do mundo.

CN: Filmagem é uma caixinha de surpresas. Para o bem ou para o mal teve alguma coisa que te surpreendeu no set?

AV: Sem sombra de dúvidas, filmagem é uma caixinha de surpresas. E uma produção independente desse porte é uma escola de fazer cinema. As surpresas foram mais doces do que amargas e o saldo foi megapositivo. O que mais me impressionou foi minha calma no primeiro dia de filmagem. Como seria meu primeiro dia como diretor, imaginei que eu estaria à beira de um ataque de nervos. Nada. A equipe de pré-produção trabalhou redondinha e quando cheguei ao set foi só definir as câmeras com os fotógrafos e gritar ação. É claro que eu tenho muito que evoluir ainda como diretor de atores, como diretor de cena, mas é assim que se evolui nesse ramo, colocando a mão na massa.

CN: Já que falamos de vampiros, você está finalizando mais um livro sobre o tema. A noite maldita tem ligação com os seus trabalhos anteriores?

AV: “A noite maldita” é do universo de “O vampiro-rei”. Em “Bento,” o leitor descobre com o protagonista que ele dormiu por 30 anos, sem envelhecer, e que o mundo mudou depois que uma noite sem igual chegou, quando metade da população do mundo adormeceu e a metade que continuou desperta se dividiu entre humanos e vampiros que lutavam por aqueles adormecidos. Em “Bento,” Lucas revela um mundo pós-apocalíptico, onde a natureza retomou seus espaços e onde o homem vive recluso em fortalezas, temendo os vampiros que assolam a Terra durante a noite. “A noite maldita” retrata essa primeira noite e os primeiros dias subsequentes a essa grande transformação. Tá ficando lindo esse filhote. Falar de fim de mundo é sempre uma delícia, provocativo, instigante.

CN: Pra fechar. Existe mesmo um livro seu passado no Cangaço ou é uma lenda do universo de André Vianco?

AV: Existe, sim. Só não tive tempo ainda de finalizá-lo. Já está bem avançado, com umas 120 páginas. É uma história muito gostosa. Coisa de jagunço e cangaceiro mesmo, luta por terras e por água, muita água.

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