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Inspirado no “Extraordinary Eco Retreats and the Books To Read While You’re There,” o Páginas Noturnas pediu a alguns autores que sugerissem quais seriam os lugares ideais para lermos os seus livros. Valia qualquer cenário, qualquer lugar do planeta, e cada um deles tinha a liberdade de decidir o ponto de ligação com as suas histórias.

Veja abaixo o guia de viagem montado por Giulia Moon, Douglas MCT, Marcelo Paschoalin, Octávio Aragão, Natália Couto Azevedo e A.Z. Cordenonsi, e conheça um pouco mais do trabalho desses autores.

Nosso ponto de partida é a França, com Natália Couto Azevedo.

A natureza é repleta de magia em sua essência. As florestas, parques e lagos são a passagem para O Reino dos Sonhos, lar das criaturas que dedicam suas vidas à manutenção da harmonia do ambiente natural. O “Parc de la Tête d’or” em Lyon, França, foi inspiração para a criação de diversos cenários do Reino dos Sonhos. Um lindo parque, que se colore dos mais diversos tons com o passar das estações, pincelado pela presença de flores e estufas cheias de romance. O lago com patinhos e a área dos cervídeos despertam um sentimento de paz em qualquer visitante e, por alguns minutos, é possível esquecer a loucura da cidade que cerca o parque e vivenciar um pouco da magia do reino das fadas. 

O livro pode ser lido em algum dos diversos bancos espalhados pelo terreno, enquanto o leitor pode saborear um delicioso crème brulée vendido nas docerias dos arredores. Uma experiência perfeita!

Agora é hora de pegarmos a estrada com Octávio Aragão, viajante do tempo e criador do universo Intempol.

Minhas histórias foram feitas para se ler em trânsito, em movimento, dentro ou sobre qualquer veículo. É como leio o que mais gosto e como as enxergo: um fluir. Acredito que um automóvel ensandecido seja o local perfeito para a leitura do álbum Para Tudo Se Acabar Na Quarta-Feira, mas um avião funcionaria bem para qualquer de meus contos, principalmente os de história alternativa.

Nossa próxima parada fica na Itália, logo ali do lado, com o autor Douglas MCT.
Stilo é uma pequena cidade no sul da Itália, na região da Calábria, que serviu de inspiração para Paradizo, a cidade fictícia onde nasceu e viveu Verne Vipero, o protagonista da série. Stilo me serviu de base para a maior parte da construção de Paradizo, desde sua rusticidade, até o clima e um pouco da arquitetura de suas igrejas, sendo a Catedral um cenário importante nos livros. Acredito que seria uma experiência mais imersiva para os leitores de Necrópolis caso estivessem passando algumas tardes lúgubres em Stilo, lendo os volumes de Necrópolis. Paradizo é o ponto de partida para as aventuras tenebrosas de Verne.

Subindo no mapa, A.Z. Cordenonsi nos manda direto para a Inglaterra.

Eu escrevi o Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes rodeado de referências vintage, entre máquinas de escrever, daguerreotipos, trens a vapor e antigos sobrados. Apesar da história se passar nos dias atuais, o clima que tentei transcrever ao romance passeia por localidades antigas, casarões com portas de ferro, cemitérios abandonados, aldravas maquiavélicas e carris que se estendem ao horizonte. Um local adequado à leitura do romance deveria trazer esta atmosfera ao leitor, preenchendo seus sentidos com o charme nostálgico dos móveis ossudos, do apito estridente da locomotiva e da delicadeza de uma limonada em um copo de cristal. Por isso, o meu cenário ideal para passear pelas páginas é um pequeno estúdio que se encontra no lendário endereço da 221B, Baker Street, Londres.

E já que estamos por perto, que tal vermos o que Marcelo Paschoalin sugeriu?

Talvez a fascinante Rievaulx Abbey seja a melhor escolha para a leitura de Eriana: Filha da Morte e Vida. Suas paredes, com mais de 800 anos de história, evocam a majestade de outrora, convidando e acolhendo em meio aos mistérios que possam guardar — segredos monásticos que somente os iniciados podem compreender, mesmo estando diante dos olhos de todos. Até onde irias por tua fé? Em uma abadia, até onde os deuses o permitirem.


O Páginas Noturnas fecha a viagem com grande estilo, indo parar do outro lado do mundo com Giulia Moon, autora da série Kaori.
Vamos para Kurokawa, no Japão. Sob a luz do entardecer, aprecie a visão de um pequeno ryokan[1] no meio das montanhas. Ao se aproximar, note o silêncio, quebrado apenas pelo ruído do rio. Com reverências e sorrisos, os (poucos) funcionários, vestidos de forma tradicional, dar-lhe-ão as boas-vindas. Ao entrar, tire os sapatos e coloque chinelos confortáveis. E deixe-se conduzir até o quarto de oito tatamis, que surge com o deslizar rápido das divisórias de madeira e papel. Pela varanda, vem o ar fresco, o cheiro de mato, os sons mais sutis de insetos e aves. Tire as roupas ocidentais e coloque um yucata[2]. Importante: experimente não usar nada por baixo. Depois, aproveite os últimos raios de sol para calçar os getas[3] na varanda e explorar o jardim. Ouça o som dos seus passos sobre as pedras, sinta a brisa no seu corpo. E vá às termas. Lave o seu corpo de gaijin e deixe para trás os últimos resquícios do mundo ocidental. Mergulhe finalmente na água quente.Ao retornar ao seu quarto, uma mesinha com o jantar tradicional estará à sua espera. Arroz branco, peixe, conservas de legumes, a sopa fumegante. E um pouco de saquê. Deguste a refeição com o coração leve. Olhe pela janela. O luar ilumina a noite. Chegou a hora. Abra o livro. E deixe Kaorientrar.


[1] Ryokan (jap.) – tipo de pousada japonesa, originários do Período Edo (1603–1868), onde o hóspede pode apreciar uma estadia nos moldes do Japão tradicional.

[2] Yucata (jap.) – quimono leve de verão.

[3] Geta (jap.) – tamancos de madeira.

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