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Mayan

Pedi a dez conhecidos, entre autores, leitores e editores, que dessem dicas de leitura para depois do fim do mundo, sem nenhum critério além do gosto pessoal de cada um. Apenas quatro deles sobreviveram aos maias e nos trouxeram suas indicações. De clássicos indiscutíveis a novos nomes da literatura brasileira, seguem as sugestões nas palavras de cada autor. Quem sabe uma delas não entra na sua lista de leitura de 2013?

“ODEIO GENTE GENTIL. GENTILEZA NÃO é coisa natural, é sem princípios. Gentileza é invenção de vendedor. Valorizo gente verdadeira. E a atenção e o cuidado que se enraízam em sentimentos deixam de ser gentileza. São: atenção e cuidado. Verdade”.

Eis o mundo de fora, de Adrienne Myrtes.

Esse pequeno extrato do livro ilumina o cuidado da escritora com as palavras. Não apenas a palavra, mas a fatura do texto tão bem talhado. No caminho dos personagens, Adrienne Myrtes nos envolve em questões universais como amizade, solidão, amor, família, morte. E em cada passagem, a palavra vibra, pois a atenção e o cuidado do trabalho literário nos encantam. Um livro que prima pelo zelo, e pela história linda que desperta em nós deslumbramento. É preciso ser muito hábil com as palavras ao fazer esse caminho para dentro. É preciso coragem para sentir o cheiro de nós mesmos e esmiuçar até desatar os nós.
Eis o mundo encarado pela escritora, firme ao enfrentar e aprofundar com uma voz singular e sensível tais questões. Este é um daqueles para se ler depois do fim do mundo. Para recomeçarmos bem.

– Ale Safra, autora do livro Dedos não brocham e do blog de mesmo nome.

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Quando o mundo acabar, espero que ao menos restem os livros e um ou outro leitor que possa lê-los em voz alta, à luz da fogueira. Porém, não consigo imaginar ler nada depressivo ou aterrorizante. Nas épocas mais escuras da vida, sempre preferi fazer-me acompanhar daquilo que mantivesse minha esperança na capacidade humana. Eu leria um clássico, algo imortal e indicaria a todos que tivessem ao lado um exemplar da Odisseia, caso vejam os céus escurecerem e o mar tornar-se cor de sangue. Odisseus desafiou os deuses, foi perseguido, perdeu quase tudo e, ainda assim, provou que se um deus pode tudo, os seres humanos podem mais, por que não desistem. Nunca.

A Odisseia e uma toalha são o suficiente.

Nikelen Witter é autora de Territórios Invisíveis.

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Aproveite o momento apocalíptico para ler sobre um estilo diferente de vida – ou talvez somente em termos mais exagerados. Destino, da Ally Condie, conta a história de uma garota que vive numa sociedade onde tudo é escolhido por ela. Como viver, onde viver, com quem viver. E Cassia não conhece outro modo de vida. Desde sempre foi assim. E ela não tem do que reclamar até perceber que talvez exista um modo de vida melhor. O ponto forte desse livro é a narrativa – singela e poética. Acompanhe a ingenuidade de Cassia ao perceber seu mundo cada vez mais diferente do que aquilo que ela sempre viu e reflita sobre suas escolhas, principalmente sobre o fato de ter o direito de fazê-las.

– Mariana Paixão mantém o blog Muito Pouco Crítica e trabalha em uma famosa rede de livrarias.

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Que tal uma história que fala de criaturas que já viveram seu “fim do mundo”?

Em Parque dos Dinossauros, de Michael Crichton, os répteis gigantes são clonados a partir do DNA encontrado em mosquitos preservados em âmbar. Um excêntrico milionário elege uma ilha remota para exibir suas criações e leva um grupo de especialistas até lá para avaliar a segurança do parque e dar o aval para que seja aberto ao público. É quando tudo sai do controle e o terror se espalha.

Quem só viu o filme não sabe o que está perdendo. Michael Crichton descreve a clonagem dos dinos de forma absolutamente crível e discursa de maneira genial sobre a teoria do caos. A leitura vale também pelas sequências de ação que ficaram de fora, muitas delas aproveitadas no (fraco) terceiro filme.

Não espere o mundo acabar para ler a obra-prima desse autor!

Marcelo Amaral é o criador da série Palladinum, que já conta com o livro Pesadelo Perpétuo.

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